Amélia: parte III
Dois dias depois, eu ainda estava em casa. Continuei absorvendo as palavras de Amélia e, lentamente, aceitei a realidade mágica desse universo.
— Então... — Bebi um pouco de café e coloquei a xícara sobre a pequena mesa da sala de estar. — Você veio mesmo de um planeta chamado ‘Ewigkeit’?
— Sim, quase isso. — Amélia comeu algumas uvas e acenou com a cabeça. Seu cabelo loiro pendeu para o lado, distraindo-me por uns instantes. — Dimensão. Uma dimensão chamada Ewigkeit.
— Isso tem diferença? — Suspirei, não querendo aumentar minha confusão. — Mas como você saiu de um lugar tão distante até aqui?
Ela parou por um momento. Vi sua orelha pontuda tremer ligeiramente e ficar avermelhada.
— Eu fiquei curiosa com o portal. Apareceu de repente nas bordas da Floresta. — Ela colocou mais algumas uvas na boca, talvez para esconder o possível constrangimento. — Cheguei muito perto e fui puxada pra cá. No final, eu...
Ergui a sobrancelha, surpreso.
— Você caiu do céu?
— Pode-se dizer que sim. — Ela esfregou o rosto ligeiramente e continuou a comer.
Respirei fundo e me encostei no sofá. Meu olhar vagou do rosto dela ao quadro pendurado de maneira torta na parede.
— E aquelas criaturas? — Questionei depois de alguns minutos.
— Virão novamente.
Estremeci com a resposta dela.
— Não há nada que possa ser feito?
Amélia parou por um momento e me encarou resolutamente:
— Lutar!
***
— Ahhhh!!!!!!!
Meus gritos soaram pela enésima vez. Quando Amélia falou sobre a necessidade de lutar, não imaginei que ela me colocaria para lutar também!
— Não fuja! — A voz tranquila dela soou atrás de mim.
— Eu! não! vou! — Berrei ofegante, mas não parei de correr. Uma bola de fogo voou ao meu lado e explodiu. O estrondo me jogou de lado e, deitado com os braços estendidos, fiquei encarando o céu escurecendo.
— Você está fugindo. — O rosto belo dela apareceu no meu campo de visão. Ela parecia intrigada. — Por que está fugindo?
— Eu não quero lutar. — Suspirei depois de algum tempo. — Estou... com medo.
Amélia me encarou por uns instantes e olhou para o céu. Achei curioso o sentimento ligeiramente solitário ao redor dela.
— Também tenho medo. — Ela confessou. — Mas o Rei da Floresta disse uma vez: aqueles que amam a própria vida estão destinados a perdê-la. Se não lutarmos por medo de perder, então já perdemos.
Um silêncio perturbador invadiu a minha alma. Uma estrangeira nessa terra estranha, essa mulher estava lutando em um mundo que não era seu, mas mantinha uma esperança inabalável dentro de si.
— Eu provavelmente morrerei. — Sorri com um novo brilho nos olhos e segurei a mão dela para levantar. — Vamos, mesmo que eu morra, será encarando essas bestas de pé.
Amélia sorriu amavelmente. Foi o primeiro sorriso tão sincero que vi em seu rosto formoso. Foi também o último.



Por falta de: não saber pronunciar o nome da dimensão, estarei chamando de "qiysiwoaaj" enquanto leio mentalmente
Eu seria muito ele KKKKKKK estaria com tanto medo que até sem perceber estaria correndo e fugindo kkkkkkk